O Departamento de Cultura de Sales Oliveira, em parceria com a Diretoria de Educação realiza a exposição de arte primitivista “Da palha de milho à arte - conhecendo Kalá” do dia 10 ao dia 14 no Colégio Municipal José Coutinho Pereira.
O evento foi idealizado para integrar as comemorações do Dia Nacional da Arte (12 de agosto), buscando valorizar a identidade salense como Capital Estadual da Palha e reconhecer os talentos artísticos da terra.
Marielly Vianna, chefe do Departamento de Cultura, destaca que a programação foi preparada com carinho e dedicação para proporcionar aos estudantes o contato com a história e as obras dos artistas primitivistas. Segundo ela, a iniciativa também representa um convite para aproximar a arte da população e valorizar a produção cultural que faz parte da identidade de Sales Oliveira.
“Sabemos que a arte tem várias linguagens e maneiras de manifestação e o nosso intuito é democratizar o seu acesso, retirando as obras das salas e levando ao povo”, afirma a chefe. “É importante destacar também como Kalá transformou em arte, esse material tão importante para renda dos salenses, que é a palha”, completa.
Atílio Passaglia, conhecido como Kalá por grande parte da população, tem sua trajetória marcada pelo amor à cultura e às raízes de Sales Oliveira. Filho do ex-prefeito Augusto Passaglia, iniciou sua caminhada na pintura por volta dos 50 anos, transformando em arte uma paixão que o acompanhava desde a infância.
Trabalhador da palha e admirador das artes, Kalá encontrou nos Irmãos Scarelli uma de suas principais referências. Suas obras são inspiradas na natureza e nos lugares onde viveu, retratando casas da zona rural, fazendas, florestas e paisagens características do interior. Em suas composições, o artista incorpora elementos emblemáticos da cidade, utilizando a própria palha e a terra como matéria-prima, estabelecendo um elo direto entre a produção artística e a identidade do município.
Ao longo de sua carreira, Kalá participou de diversas exposições, representando Sales Oliveira no Mapa Cultural Paulista e na Semana Cultural “José Antônio da Silva”, acumulando prêmios e contribuindo para a preservação da memória local.
Sales Oliveira é reconhecida como um verdadeiro celeiro da arte primitivista (ou naïf), estilo caracterizado pela simplicidade nas retratações, cores vibrantes e foco nas cenas do cotidiano rural. O município conta com nomes fundamentais que conquistaram projeção nacional e internacional:
José Antônio da Silva: Nascido em Sales Oliveira em 1909, é um dos maiores expoentes da arte naïf brasileira. Autodidata, começou a pintar na fase adulta e construiu uma trajetória singular ao transformar memórias e cenas da vida no campo em obras reconhecidas no Brasil e no exterior. Suas telas integram acervos de grandes museus e permanecem como peça viva da identidade cultural do município.
Irmãos Scarelli: Tonico e Zequinha Scarelli, conhecidos como “Bóias Frias”, chegaram a Sales Oliveira na década de 1960. Trabalhadores rurais nos cafezais e canaviais, encontraram na pintura uma forma de registrar o cotidiano das colônias e os costumes do campo, produzindo cerca de 3 mil obras. Em entrevista concedida ao Grupo EP, Zequinha contou que muitas de suas telas foram doadas, contribuindo para que a arte dos irmãos se perpetuasse em diferentes acervos e espaços públicos.
Cecília Braga: Conhecida como a “pintora de Deus”, Cecília Braga nasceu em Caruaru (PE) em 1928 e chegou a Sales Oliveira aos 18 anos. Embora tenha começado a pintar oficialmente em 1997, aos 68 anos, sua relação com as cores vinha desde a infância. Expoente do primitivismo e amiga próxima dos Irmãos Scarelli, desenvolveu grande parte de sua produção no Centro Cultural Santa Rita, retratando paisagens, momentos de vida e cenas que celebravam a natureza e a fé. Suas obras também conquistaram prêmios e foram expostas no Brasil e no exterior.