Celeiro de artistas primitivistas do Estado


CELEIRO DE ARTISTAS PRIMITIVISTAS

“Sales Oliveira é o Maior Celeiro de Primitivistas do Estado”, como atesta a museóloga Angélica Fabbri, diretora do Museu Casa de Portinari, em Brodowski.

A pintura primitivista, ou Arte NAIF, nasceu em 1886 na França, caracterizando-se por  trabalhar diretamente com a arte popular. Nesses casos, os artistas são todos autodidatas e sem vínculos com padrões acadêmicos ou preocupações estéticas, sendo a exoticidade um grande ponto forte dessa manifestação, como desproporções, ausências de profundidade e simplicidade nas obras.

 

A forma de expressar essa arte manifesta-se, sobretudo, na qualidade da sensibilidade do pintor, na riqueza de sua imaginação, na força do seu inconsciente e na manifestação de um trabalho como expressão da cultura popular. O sincretismo religioso, a fauna, a flora, as festas populares, enfim, a realidade de um povo simples é exprimida nas telas coloridas do primitivismo.

Irmãos Scarelli “Os Boias Frias”

Antônio e José Scarelli eram trabalhadores rurais. Além disso, eram pintores. Conhecidos como Tonico (falecido em 2013) e Zequinha, dividiam a enxada com o pincel, esse último, principal ferramenta de trabalhos primitivistas que já rodaram o mundo. Além da arte e criatividade, dividem também a casa onde moravam.

Naturais de São Joaquim da Barra, os Irmãos Scarelli, como se tornaram conhecidos, são o orgulho de Sales, onde escolheram viver desde a tenra infância. Não é para menos. A dupla, referência do primitivismo nacional, levou o nome de Sales Oliveira para todo o Brasil. O acervo deles já chega a três mil quadros.

Autodidatas, começaram a pintar na década de 80, depois do trabalho árduo do campo. Quem descobriu primeiro que era artista foi o caçula Zequinha. A inspiração era a própria paisagem rural que se transformava em pássaros, casas de fazendas, flores e plantações 

imaginarias para povoar as telas improvisadas. As belezas do campo e da pequena Sales Oliveira foram sendo expressadas no trabalho dos artistas que já são ilustres na terra em que vivem.

 

Fãs de Cândido Portinari, maior expoente brasileiro da pintura modernista, Tonico e Zequinha Scarelli são parte integrante de Sales Oliveira, fazendo do município um lugar mais bonito de se viver. 

Mesmo sem conhecimento teórico sobre arte, os Scarelli dão um show quando o assunto é criatividade. Prova disso são os prêmios conquistados mundo afora.

 

José Antônio da Silva

Pintor, escritor, desenhista, escultor e repentista, José Antônio da Silva, morto em 1996, é um dos maiores expoentes NAIF do Brasil. Nascido em Sales Oliveira, em 1906, ganhou o mundo em bienais brasileiras e internacionais, expondo seus trabalhos em Havana, capital cubana e Veneza, Itália. O artista foi criado na roça, filho de meeiros. Trabalhador rural durante grande parte da sua vida retratou as lidas do dia-a-dia do campo, representando sempre em sua arte a vida caipira. Praticamente inculto, desconhecia o significado de seu estilo, até que os críticos o definissem como tal, em 1946.

Quando jovem, foi morar em Rio Preto, capinando sítios e fazendas da região. Sua inclinação para a arte o levou a se transferir do campo para a cidade no final de 1930, com mulher e filhos, sem eira nem beira. Foi nesta ocasião que começou a crescer como artista, mas ainda 

precisava realizar serviços de carroceiro e guarda-noites para o sustento da família.

Foi o aclamado vencedor de uma exposição, embora o preconceito tenha rebaixado sua classificação após fazer sua apresentação de maneira simples e espontânea. Em 1950, já conhecido em São Paulo, foi lhe dado, por indicação do governador, um emprego de faxineiro na Prefeitura de Rio Preto. Nessa época, o artista já possuía em casa um grande acervo de pinturas, que mais tarde, foi o primeiro passo para a criação do Museu de Arte da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cecília Braga

 

Dona Cecília, nasceu em Caruaru, Pernambuco. Veio para Sales Oliveira ainda jovem em busca de trabalho. A artista brinca com as cores desde pequena, mas nunca acreditou que sua arte pudesse fazer história. Foi em Sales que descobriu que o primitivismo seria parte de sua vida.

Iniciou a busca de expressão e liberdade nos pincéis em 1997, sempre retratando as belezas da natureza em suas obras que, segundo ela, são a forma de reproduzir o Criador. A artista, que se considera salense de coração, já conquistou vários prêmios em todo o país, com sua obra levada até mesmo para o exterior.